sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dica de Atividade: Mandala de Paetês



Admiro a beleza plástica da mandala, mas principalmente a aura de mistério que a envolve.
"As mandalas são objetos mágicos de diversas culturas: dos hinduístas, dos islâmicos, dos budistas, dos cristãos (as rosetas das catedrais), e das práticas xamânicas de diversas culturas ancestrais. Para os integrantes dessas culturas, as mandalas têm o poder de reorganização das energias astrais que estão ao seu redor, pelo padrão simétrico e harmônico de suas formas e cores, que compõem uma ‘geometria sagrada’. Concebe-se que estes instrumentos mágicos que são as mandalas, são utilizados para a harmonização de energias confusas em ambientes e também para meditação" (Article Marketing Brasil, 2011).
São propriedades simbólicas do círculo a perfeição e a ausência de distinção ou divisão. A imagem do círculo, e consequentemente da mandala, evoca equilíbrio, totalidade, integração de diferenças e interdependência. As mandalas são ainda, representações da psique, cuja essência nos é desconhecida. São símbolos do nosso processo de individuação e do self, inspiram serenidade e nos remetem ao sentimento de que a vida reencontrou seu sentido e sua ordem (Osteto, 2009).


Material utilizado:
Base circular em papelão ondulado, lápis, régua, cola branca, pincel para aplicação da cola, canutilhos e paetês.


Características gerais da atividade:
Para a execução desta atividade necessita-se de uma mesa ou bancada em área iluminada. É uma atividade simples, mas que requer paciência.
A colagem dos canutilhos e paetês exige coordenação motora fina e movimento de pinça de modo repetido. A atividade permite variabilidade de tamanho, pois se pode escolher uma base maior ou menor, e uma ampla variedade de desenhos. É uma atividade cuja execução do trabalho pode ser interrompida em qualquer etapa da produção.
A atividade pode ser desenvolvida tanto individualmente quanto em grupo. Os principais movimentos exigidos são os movimento funcionais de membros superiores, cabeça e tronco. Pode ser desenvolvida na posição sentada ou de pé, porém por se tratar de atividade repetiviva e demorada, é recomendável executá-la na posição sentada, com postura adequada em relação à superfície de trabalho.
A atividade exige percepção visual, tátil e visuomotora. Oferece oportunidade para explorar as noções de forma, tamanho, espaço, cor, quantidade e medida.
No aspecto psicológico, a confecção de uma mandala caracteriza-se por explorar potenciais e limitações, expressão criativa, atenção, concentração, originalidade, persistência, auto-valorização e organização.


Referências:

ARTICLE MARKETING BRASIL. O significado das mandalas.
Disponível em [http://www.artigosbrasil.net/art/artes/5746/mandalas.html%22] Acesso em 15/02/2012.

OSTETTO, L.E. Na dança e na educação: o círculo como princípio. Revista Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 35, n. 1, abr. 2009.

Solidão

(Augusto Jorge Cury)


“Na sociedade moderna o ser humano vive ilhado dentro de si mesmo, envolvido num mar de solidão.
A solidão é drástica, insidiosa e silenciosa.
Falamos eloqüentemente do mundo em que estamos, mas não sabemos falar do mundo que somos, de nós mesmos, dos nossos sonhos, dos nossos projetos mais íntimos.
Não sabemos discorrer sobre nossas fragilidades, nossas inseguranças, nossas experiências mais íntimas.
O homem moderno é prolixo para comentar o mundo em que está, mas emudece diante do mundo que é.
Por isso, vive o paradoxo da solidão.
Trabalha e convive em multidões, mas, ao mesmo tempo, está isolado dentro de si mesmo.
Muitos só conseguem falar de si mesmos diante de um psiquiatra ou de um psicoterapeuta, os quais têm tratado não apenas de doenças psíquicas, como depressões e síndromes do pânico, mas também de uma importante doença psico-social: a solidão.
Porém, não há técnica psicoterapêutica que resolva a solidão.
Não há antidepressivos e tranqüilizantes que aliviem a sua dor.
Um psiquiatra e um psicoterapeuta podem ouvir intimamente um cliente, mas a vida não transcorre dentro dos consultórios terapêuticos.
O palco da existência transcorre lá fora.
No terreno árido das relações sociais é que a solidão deve ser tratada. Lá fora é que o homem deve construir canais seguros para falar de si mesmo, sem preconceitos, sem medo, sem necessidade de ostentar o que se tem.
Falar demonstrando apenas aquilo que se é...
O que somos? Somos uma conta bancária, um título acadêmico, um status social? Não. Somos o que sempre fomos, seres humanos.
As raízes da solidão começam a ser tratadas quando aprendemos a ser apenas seres humanos.”

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Fundamentos da Terapia Ocupacional: Modelos do Processo

(Adrianna Nogueira)


No texto intitulado “Concepção ‘Ingênua’ e Concepção Crítica da Terapia Ocupacional”, Francisco (2001) nos apresenta algumas reflexões acerca dos modelos do processo da Terapia Ocupacional.
A autora inicia suas considerações mostrando que existem diferentes formas de processos, cada qual elaborado segundo as características das técnicas que os embasam, e da forma como o profissional que as aplicam. Este tipo de análise remeteria a um distanciamento entre o processo de terapia ocupacional e o contexto social onde ele acontece.
Desta forma, suas reflexões são apresentadas segundo as relações que o processo desenvolve com a visão de homem e de sociedade. São apresentados então três diferentes modelos de processo: um segundo a concepção humanista, um segundo a concepção positivista, e um segundo a concepção dialética materialista-histórica, os quais, segundo a autora, assumem posições opostas e inconciliáveis.
No modelo do processo humanista inexistem regras pré-estabelecidas. O terapeuta ocupacional assume o papel de facilitador perante o usuário do serviço, encorajando-o a ser protagonista na relação que estabelece com sua saúde. A relação cliente-terapeuta é muito importante neste modelo e a observação é o método por excelência que o terapeuta utiliza para direcionar o processo terapêutico, o qual, via de regra, acontece em um grupo de atividades. No grupo, o fazer individual acontece sob a ótica das relações interpessoais.
Este modelo favorece o aprendizado de diferentes formas de relacionamento, de soluções para os problemas cotidianos, e de uma postura criativa frente a estes. O aprendizado depende do auto-conhecimento desenvolvido pelo cliente na relação terapêutica e, portanto, o próprio terapeuta ocupacional, como facilitador deste processo, se configura um instrumento terapêutico.
No modelo do processo de terapia ocupacional segundo a ótica positivista as relações podem ser definidas como “procedimentais”. Regras são pré-estabelecidas para se alcançar uma meta e o dever do usuário é seguir o plano de tratamento apresentado pelo terapeuta ocupacional, o qual, usualmente, recebe o usuário mediante um encaminhamento médico explicitando os objetivos que se espera ser alcançados com o tratamento. Inicia-se então uma extensa coleta de dados através de entrevistas estruturadas e testes, que por sua natureza objetiva, fornecerão as informações que o profissional deseja obter para direcionar o tratamento da patologia apresentada.
Estes dados coletados serão comparados em próximas reavaliações, para que se verifique a eficácia da intervenção terapêutica, a qual acontece de forma individualizada e a atividade prescrita assume papel central. Desta forma, o terapeuta ocupacional se assume como mediador da relação do usuário com a atividade que deve ser desenvolvida.
No modelo do processo de terapia ocupacional materialista histórico enfatiza-se o que esta concepção preconiza, ou seja, a relação dialética do homem com seu trabalho e com o ambiente.
Nesta relação, ao transformar o meio através do trabalho, o homem se transforma, e, em uma sociedade dividida em classes, uma das características da saúde é manter este homem socialmente produtivo. Sendo assim, “é a classe economicamente dominante que determina cultura, educação, ciência e saúde” (p.65), em um processo social que determina os conceitos de saúde e doença.
A prática de terapia ocupacional enquanto parte da organização social, assume um papel que pode ser de mantenedor, reformista ou transformador. Há uma solidariedade com o cliente e sua classe social e a ruptura da imparcialidade, passando a obter uma postura cientificista.
Neste modelo prioriza-se o tratamento grupal, pois o agrupamento de indivíduos por classe de origem, facilita o trabalho de conscientização e aprendizagem do tratar de “questões coletivas”. A saúde é uma dessas questões, e sua aquisição ou manutenção ultrapassa o indivíduo, sendo, dentro da sociedade capitalista, uma questão de classe social.
As ações do terapeuta neste processo são democráticas, cada indivíduo do grupo é responsável “pelo fazer o processo acontecer” (p.71). As ações do grupo mostram as necessidades deste, que levam à elaboração do projeto do grupo, à execução deste projeto e à reflexão destas ações, em uma estrutura dinâmica, sem critérios pré-estabelecifos, “na qual cada grupo imprime sua maneira de organizar-se e construir seu projeto” (p.71).
A compreensão da terapia ocupacional que se estabelece pela concepção materialista-histórica mostra que esta resulta em uma conscientização do grupo, que o leva a compreender que é possível a transformação social através de uma nova concepção de práticas de saúde, estabelecendo novas relações entre o homem e o seu meio.
Diante do exposto pela autora, os três modelos apresentados podem ser realmente considerados opostos. Entretanto, cada um deles, com suas respectivas especificidades, têm seu lugar na prática terapêutica ocupacional.
Assim como cada usuário do serviço de Terapia Ocupacional é um ser único em suas relações consigo e com o contexto no qual se insere, também o terapeuta ocupacional apresenta suas características próprias, tanto pessoais como profissionais.
Sendo assim, não se pode simplesmente apontar um modelo como sendo melhor que outro, pois cada situação específica exigirá do profissional um posicionamento crítico sobre sua atuação e a melhor maneira de estruturá-la. Desta forma é que demonstrará sua capacidade de atender cada ser humano que se apresente diante dele necessitando de sua intervenção.


Referência: FRANCISCO, B.R. Terapia Ocupacional. 2ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.

domingo, 17 de abril de 2011

Curso de Capacitação na "Lista de Identificação de Papéis Ocupacionais"

O próximo curso será em Uberaba, no Triângulo Mineiro. As inscrições devem ser feitas diretamente com os organizadores. Seguem abaixo os detalhes:
  • Público Alvo: Terapeutas Ocupacionais e Acadêmicos de Terapia Ocupacional
  • Data: Sábado - 21/05/2011
  • Horário: 13:30-17:30h
  • Investimento: R$ 170,00 à vista (inclui coffee break, apostila, material do curso e certificado)
  • Local: ADEFU - Rua Francisco Moreira de Araújo, 70 conj. Uberaba I - Uberaba, MG
  • Outras informações e inscrições: omnicursos@gmail.com - Tel.: (34) 9196-9881 com Paulo
Ementa:
A falta de instrumentos de avaliação padronizados e específicos para a  Terapia Ocupacional no Brasil e em outros países de língua portuguesa tem causado a dificuldade de nossa inserção nas práticas de Terapia Ocupacional Baseada em Evidências. Isto significa falta de dados objetivos para comprovar seus resultados, falta de indicadores de desempenho da profissão e, portanto, dificuldade em justificar a presença dos terapeutas ocupacionais junto às instituições de uma forma geral e em publicar seus avanços em periódicos estrangeiros de destaque mundial. Este tema visa apresentar um instrumento do Modelo da Ocupação Humana (Gary Kielhofner, 2008), originalmente denominado Role Checklist, que foi validado no Brasil por Júnia J. R. Cordeiro. O instrumento se propõe a delinear os papéis ocupacionais no continuum da vida do sujeito, bem como a importância atribuída a cada papel. A partir daí, o terapeuta ocupacional poderá especificar as tarefas que foram afetadas em cada papel e planejar sua intervenção para produzir resultados ocupacionais específicos e verificar a sua efetividade. O objetivo é divulgar o uso do instrumento e a ampliação de pesquisas em Terapia Ocupacional por meio da utilização do mesmo. O trabalho que subsidia este tema está publicado em forma de tese (UNIFESP), em forma de artigo no Am. J. Occup. Therapy, v.61, n. 1. Jan/Fev.2007 e como contribuição à 4ª. ed. do livro Modelo da Ocupação Humana, 2008.

Júnia J. Rjeille Cordeiro - terapeuta ocupacional - CREFITO-3/148-TO
[juniacordeiro@terra.com.br]

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Trabalho corporal, música, teatro e dança em Terapia Ocupacional

No texto intitulado “Trabalho corporal, música, teatro e dança em Terapia Ocupacional: clínica e formação”, Flávia Liberman reflete sobre estes elementos que vêm se constituindo como recursos terapêuticos ocupacionais que buscam analisar e atribuir sentido à prática destes profissionais, enfatizando os processos de subjetivação, principalmente na reabilitação psicossocial.
Nas abordagens que enfatizam o aspecto funcional do indivíduo a subjetividade tem sido deixada em segundo plano, cuja característica é fornecer informações sobre “as necessidades, desejos e possibilidades do sujeito”. A terapia ocupacional, ao enfatizar este aspecto subjetivo do ser humano, direciona seu olhar para o sujeito e sua individualidade. Neste processo, a arte é um recurso que possibilita a formação do vínculo terapeuta-cliente, permitindo que se manifeste “conteúdos emocionais, sentimentos e desejos e a efetivação de processos de expressão, conhecimento de si, do outro e do mundo”.
A dança enquanto método de expressão do corpo, a música e o teatro vêm sendo utilizados na Terapia Ocupacional para compreender o indivíduo a partir das potencialidades do corpo. Saraceno(1999), citada pela autora, aponta que se faz necessário não apenas “transformar” o cliente em um pintor, bailarino ou escultor, mas promover através destas atividades o sentimento de pertencimento que resulta em mudanças no comportamento social deste com relação à família e rede social, o que se configura na atualidade como finalidade da atenção à saúde.



O texto ressalta ainda a importância da reflexão sobre a aplicação destes elementos na formação acadêmica dos terapeutas ocupacionais, sensibilizando o próprio aluno com vivências que o faça “resgatar sua história, recuperar e refletir sobre os seus significados”.
Ao relatar alguns exemplos de atuação por esta abordagem junto a seus clientes, a autora considera que é um desafio profissional esta necessidade, principalmente na área da reabilitação física, na qual a realização de movimentos corporais se foca “no prazer e no gosto pela experimentação”.
Finalizando suas reflexões, ela nos apresenta a aplicação desta abordagem na Reabilitação Psicossocial, colocando a importância dos espaços sociais como, por exemplo, os cinemas e teatros, neste processo. Neste sentido, a arte concede ao sujeito elementos para a “construção, articulação e transformação do cotidiano”. A autora sugere ainda que a abordagem corporal, enquanto recurso terapêutico seja alvo dos questionamentos dos profissionais da Terapia Ocupacional, no sentido de que as relações teórico-práticas contribuam para a solidificação dos resultados positivos de tais ações terapêuticas.


Referência:
LIBERMAN, F. Trabalho corporal, música, teatro e dança em Terapia Ocupacional: clínica e formação. Cadernos – Terapia ocupacional: Produção de conhecimento e responsabilidade social. Centro Universitário São Camilo. São Paulo, v.8, n.3, p.39-43, jul-set 2002.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Terapeuta Ocupacional

"O terapeuta ocupacional é o profissional que busca a relação saudável entre o indivíduo e as atividades que ele realiza no seu dia a dia: atividades domésticas, do cuidado pessoal, do trabalho, do lazer, sociais e outras.  Cabe ao terapeuta ocupacional avaliar tanto as dificuldades e limitações, temporárias ou permanentes, quanto as capacidades e potencialidades do paciente, para favorecer a adequada realização de suas atividades. Investiga atividades significativas, planos e projetos de vida para qualificar o seu cotidiano. O terapeuta ocupacional avalia e atende bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos estimulando e desenvolvendo suas habilidades e ampliando a capacidade neuropsicomotora, lúdica, criativa, expressiva e produtiva. Atua nos afazeres da rotina do paciente, promovendo autonomia e independência naquelas atividades de que ele deseja ou precisa realizar.O terapeuta ocupacional busca promover “encontros” entre a diversidade de habilidades do indivíduo e a diversidade de ocupações do mundo contemporâneo, favorecendo a inclusão social."


NETOCOM - Núcleo de Estudos de Terapia Ocupacional do Centro-Oeste Mineiro
Coordenação: Marília Caniglia

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os Cegos e o Elefante

(Folclore Hindu)







"Segundo a lenda, numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos.
Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.
Embora fossem amigos, havia certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio. Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.


No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante.

Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes...
- Que palermice! - disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. - Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra...
- Ambos se enganam - retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...
- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...
- Vejam só! - Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!"




quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jogos Eletrônicos, Reabilitação e Terapia Ocupacional

Terapias de reabilitação para pacientes que perderam o movimento dos membros superiores costumam ser monótonas ou exigir equipamentos caros.
Pensando nisso, engenheiros da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveram o GenVirtual um programa de computador capaz de tornar os métodos de reabilitação mais estimulantes.
Em testes realizados na Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim) a taxa de motivação dos pacientes que usavam o programa aumentou em 10% em relação à terapia convencional, com massinha e bastão.
O software permite que o paciente interaja com jogo da memória e compositor musical virtuais, enquanto passa a mão sobre cartões de papel localizados no campo de visão de uma webcam. Para o sistema funcionar, basta conectar tudo a um computador comum.



O GenVirtual lembra o "Genius", brinquedo lançado no Brasil na década de 1980. O terapeuta coloca abaixo da webcam os cartões na disposição desejada. Na tela do computador, o software faz aparecer cubos coloridos que giram e brilham em sequências cada vez mais complicadas. A criança precisa tocar nos cartões repetindo a sequência dos cubos da tela.
Já no compositor, o terapeuta posiciona à vista da webcam quadrados com letras que representam as notas musicais. Em resposta, o software faz aparecer na tela cubos coloridos. Quando o paciente passa a mão sobre o cartão, o computador mostra os cubos coloridos sendo apertados e produzindo os sons das respectivas notas.
Colocando cartões com desenhos de instrumentos sob a câmera, os pacientes podem "tocar" flauta, guitarra, piano, violão, pandeiro, caixa ou prato.
"O que tentamos fazer é oferecer mais recursos para que o processo de reabilitação motora se torne mais atraente e divertido", explica Ana Grasielle Corrêa, engenheira elétrica que desenvolve o programa em seu doutorado no Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Poli.

Terapia ocupacional

Ana Grasielle percebeu essa necessidade ao conhecer o setor de terapia ocupacional da Abdim e o de musicoterapia da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).
Os exercícios de terapia ocupacional muitas vezes eram monótonos, causando baixa aderência ao programa de reabilitação. E, segundo Ana, recursos para apoiar atividades de musicoterapia de pacientes com grave comprometimento motor são poucos e caros no Brasil.
"Para tocar piano, por exemplo, era necessário utilizar um adaptador, caso o paciente apresentasse dificuldades em separar os dedos das mãos", relata. "Pacientes em estágio avançado de uma distrofia muscular não possuíam forças suficientes para tocar pandeiro, caixas e tubas."
O GenVirtual é mais acessível, porque dispensa o uso da força muscular e o terapeuta pode posicionar os cartões da forma que for melhor para cada paciente. O profissional também pode decidir o tamanho e cor dos cartões, além de elaborar as atividades de acordo com as necessidades do paciente.
"As avaliações realizadas na AACD e ABDIM comprovam que o GenVirtual foi capaz de aumentar a motivação e satisfação tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores em sessões de reabilitação motora", explica a pesquisadora.
O programa tem algumas limitações: precisa de ambientes bem iluminados para funcionar e não tem grande efeito em pacientes com limitações graves.
Interessados podem fazer o download e encontrar instruções sobre o Genvirtual no site do projeto, no endereço www. lsi. usp. br / nate / projetos / genvirtual.


Publicado por Nilbberth Silva - Agência USP
em Diário da Saúde [www. diariodasaude. com. br]

terça-feira, 25 de maio de 2010

Contribuições de Paulo Freire para as ações da Terapia Ocupacional na Promoção de Saúde

(Adrianna Nogueira)

Na I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada no Canadá em 1986, foi redigida a denominada “Carta de Ottawa”, na qual encontra-se que a promoção de saúde é um processo que capacita a comunidade a adquirir comportamentos que melhorem sua saúde e qualidade de vida e a participar de maneira efetiva para controlar este processo. Este documento indica que para se obter “bem-estar físico, mental e social os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente”, e que “a saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver” (BRASIL, 2002).
As ações promotoras de saúde, conforme aponta BUSS (2005), procuram refletir sobre as condições de vida das pessoas, as quais devem tomar suas decisões, tanto individuais quanto coletivas, de maneira que favoreçam a saúde e a qualidade de vida. A promoção de saúde apresenta-se como

“uma estratégia de mediação entre as pessoas e seu ambiente, combinando escolhas individuais com responsabilidade social pela saúde. Estas estratégias de promoção da saúde são mais integradas e intersetoriais, bem como supõem uma efetiva participação da população desde sua formulação até sua implementação” (p.34-35).

Sendo assim, a promoção da saúde relaciona-se com o cotidiano do indivíduo e ao contexto no qual ele se insere, participa e usufrui o que a vida lhe oferece. A Terapia Ocupacional possui então a responsabilidade de promover a saúde do indivíduo, pois está diretamente ligada às atividades cotidianas, as quais definem o estilo e qualidade de vida desta pessoa. Os terapeutas ocupacionais crêem nas qualidades próprias das atividades, necessárias para o bem-estar físico e emocional e, portanto, capaz de promover saúde (HAHN, 1995).
Esta pesquisadora reflete que as atividades que estes profissionais desenvolvem com seus clientes, particularmente as que se enquadram nos conceitos de AVD’s (atividades da vida diária) e AIVD’s (atividades instrumentais da vida diária), devem incluir ações informativas sobre saúde e bem-estar como primeiro objetivo de intervenção. O relacionamento terapeuta-cliente, nestas ações promotoras de saúde e qualidade de vida, se caracteriza então como uma relação muita mais educativa do que terapêutica. Nesse sentido, o terapeuta ocupacional, neste papel de agente educacional promotor de saúde, pode enriquecer sua atuação com as reflexões que Paulo Freire apresenta sobre a arte de ensinar.


Para Freire (1996), o ensino é fundamentado pela ética e pelo respeito à dignidade e à autonomia da pessoa a quem se pretende instruir sobre algo. Requer que o educador saiba pensar, no sentido de que duvide de suas próprias certezas, questione suas verdades. Quando ele assim age, existe uma maior facilidade em promover no educando o mesmo espírito. Ensinar requer ainda a aceitação do risco que é aventurar-se em busca do “novo”, rejeitando todas as formas de discriminação que separe as pessoas, pois “ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que foi novo antes e se fez velho e se ‘dispõe’ a ser ultrapassado por outro amanhã” (p.15). Nesse sentido, torna-se imperativo tanto conhecer o que o educando já sabe, bem como estar aberto ao conhecimento que está em construção, pois “não há docência sem discência”, ou seja, ensinar não é algo próprio do educador. Embora existam diferenças peculiares entre educador e educando, eles não são objetos um do outro, pois “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p.12).
Neste modo de se conceber o processo ensino-aprendizagem, prossegue Freire, o educador, apesar de reconhecer o condicionamento a que os seres humanos estão sujeitos, mais ainda reconhece a possibilidade de interferir na realidade e modificá-la, ou seja, o futuro não é algo imutável. O ser humano, enquanto ser inacabado deve estar consciente deste “inacabamento”, pois a diferença entre o ser condicionado e o ser determinado reside exatamente nesta característica, o primeiro possui a consciência do inacabamento, e isto pode levá-lo a deixar de ver os obstáculos como algo pré-estabelecido, uma fatalidade, e reconhecer a transitoriedade dos mesmos. "É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente” (FREIRE, 1996, p.34).
Desta forma, a atuação do terapeuta ocupacional na promoção da saúde, pautada sobre estes princípios apresentados por Paulo Freire, possui a capacidade de estabelecer, junto com o indivíduo ou grupo alvo de sua intervenção, um processo de conscientização de que existem outras possibilidades além da realidade apresentada, pois esta não “é” assim, apenas “está” assim...

Referências:

BUSS, P.M. Uma  introdução ao conceito de Promoção da Saúde. In: CZERINA, D.; FREITAS, C.M. (org). Promoção da Saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 23ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002 (1996).

HAHN, M.S. Promoção da saúde e terapia ocupacional. Revista do Centro de Estudos de Terapia Ocupacional - CETO, v.1, n.1, p.10-13, São Paulo, 1995.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Política Nacional de Assistência Social - PNAS e a Terapia Ocupacional

(Adrianna Nogueira)





A Política Nacional de Assistência Social – PNAS é um projeto inovador, que dá continuidade à mudança no modo de se conceber o cidadão brasileiro indicada pela Constituição Federal (BRASIL, 1988) e pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (BRASIL, 1993). Nesta nova concepção, a assistência social configura-se não mais como “favor”, “caridade” ou “bondade”, mas como um direito do cidadão à proteção social, compondo a chamada Seguridade Social. Na prática, este novo modelo de assistência social possui dois grandes objetivos: suprir uma necessidade imediata e desenvolver no indivíduo sua capacidade para uma maior autonomia (BRASIL, 2004).
            O trabalho de assistência social, pelos princípios contidos na PNAS, se configura de forma socioterritorial, ou seja, é uma política pública onde as intervenções se processam “nas capilaridades dos territórios”, e esta característica exige um reconhecimento da dinâmica do cotidiano da população assistida. Este conhecer/reconhecer significa que se deve

“levar em conta três vertentes de proteção social: as pessoas, as suas circunstâncias e dentre elas seu núcleo de apoio primeiro, isto é, a família. A proteção social exige a capacidade de maior aproximação possível do cotidiano da vida das pessoas, pois é nele que riscos, vulnerabilidades se constituem” (BRASIL, 2004, p.10).

            Esta forma de se conceber a assistência social possui um direcionamento que responsabiliza a situação social coletiva pela situação individual daquele que, no momento, está passando por um processo de privação. É a chamada “visão social de proteção”, que se dispõe a conhecer realmente as vulnerabilidades sociais a que as pessoas estão sujeitas e os recursos que possuem para enfrentar as situações com menos dano pessoal e social. Nesta visão social de proteção devemos ser capazes de entender que as circunstâncias sociais são determinantes para sua proteção e autonomia, o que “exige confrontar a leitura macro social com a leitura micro social” (BRASIL, 2004, p.10).



            Outra visão que nos é apresentada pela PNAS é a necessidade de se analisar a situação não somente pelas carências das pessoas, mas também pelas potencialidades. Esta característica faz com que os profissionais envolvidos no processo priorizem e sejam capazes de promover a autonomia destas pessoas.
            Desta forma, os terapeutas ocupacionais têm muito a contribuir, pois sua formação lhes dá o conhecimento necessário para reconhecer o ser humano como um indivíduo autônomo, com potencial para a mudança, e para o qual o envolvimento em ocupações e atividades significativas é essencial. Sendo que, no contexto da Terapia Ocupacional, “atividades” são uma classe geral de ações humanas que são realizadas com uma finalidade, mas que não assumem importância central na vida da pessoa, e as “ocupações” são vistas geralmente como atividades que têm significados e objetivos únicos na vida do ser humano e são essenciais para o seu sentido de identidade e competência (AOTA, 2008).
          Sendo assim, o envolvimento na ocupação para suporte à participação social é um dos resultados que se pode alcançar com a intervenção terapêutica ocupacional, pois através do envolvimento ativo do ser humano na realização de ocupações e atividades desejadas ou necessárias, em casa ou na comunidade, que ele próprio define como objetivas e significativas, a participação social será um resultado natural (AOTA, 2008).

Referências:

American Occupational Therapy Association (AOTA). The Occupational Therapy Practice Framework: Domain and Process, 2nd Edition (Framework - II). The American Journal of Occupational Therapy, v.62, n.6, nov-dez 2008, p.625-683.

BRASIL. Presidência da República. Lei Orgânica da Assistência Social, n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, publicada no DOU de 8 de dezembro de 1993.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: 1988. Texto constitucional de 5 de outubro de 1988 com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais de n. 1, de 1992, a 32, de 2001, e pelas Emendas Constitucionais de Revisão de n. 1 a 6, de 1994, 17ª ed. Brasília. 405 p. (Série textos básicos, n. 25).

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Secretaria Nacional de Assistência Social, Conselho Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social – PNAS. Resolução n.145, de 15 de Outubro de 2004, publicada no DOU de 28 de outubro de 2004.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre o Alzheimer

(Roberto Goldkorn) *


Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.


O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que...', frase que me dá arrepios.

E o que fazer... para evitarmos essas drogas?

Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida "bandida".

Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas,  forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos.. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum... Preocupante...).

Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.

Tente fazer um teste:

- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro. Vale a pena tentar!
Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado? Que tal começar agora enviando este texto para alguém, usando o mouse com a mão esquerda?

FAÇA O TESTE E PASSE ADIANTE PARA SEUS  AMIGOS.
'Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer!'

Sucesso pra você!!!


Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Estimulação Cognitiva

As alterações cognitivas inerentes ao processo de envelhecimento afetam diretamente a memória, o pensamento abstrato e a capacidade criativa. Estas alterações podem ser retardadas, revertidas ou atenuadas mediante a adoção de uma rotina que integre a interação social diária e a realização de atividades instrumentais do cotidiano tais como, por exemplo, as atividades relacionadas a recebimentos e pagamentos de contas, a preparação de refeições, a utilização de meios de transporte de forma independente, uso de meios de comunicação como o telefone celular e a internet, e o cuidar de inventimentos financeiros.

Outro importante instrumento para a manutenção da saúde cognitiva durante o processo de envelhecimento é a estimulação cognitiva de maneira direta, através de exercícios cognitivos como palavras cruzadas, puzzles e quebra-cabeças simples, ordenação de sequências, jogo de memória, exercícios de escrita/leitura/cálculo, jogos sócio-recreativos como damas e dominó, frequencia a cursos como, p.ex., a Universidade Aberta da Terceira Idade e os jogos de raciocínio como os enigmas e o sudoku.

Estudos científicos têm apontado ainda que as atividades físicas também influenciam na prevenção das capacidades cognitivas, e sugerem que os indivíduos que adotam a prática de atividades físicas de forma regular estão menos proprensos a apresentarem declínio cognitivo.

Os Terapeutas Ocupacionais devem estar preparados para oferecer uma estimulação cognitiva adequada aos interesses de seu cliente, desenvolvendo junto a estes atividades variadas e significativas.

Dentre as diversas publicações nessa área, merece destaque especial o material desenvolvido pelas Terapeutas Ocupacionais Ana Katharina Leite e Ana Paula Mendes: "50 EXERCÍCIOS PARA ESTIMULAÇÃO COGNITIVA: O COTIDIANO EM EVIDÊNCIA".





Esta obra é uma compilação de exercícios cognitivos desenvolvidos  para estimulação e uso no tratamento de disfunções cognitivas em adultos e idosos. São exercícios com diferentes níveis de exigência cognitiva e, alguns deles, podem ser adaptadas aos clientes com baixa escolaridade, além de estimular os terapeutas ocupacionais a utilizarem o ambiente do cliente como ferramenta no processo de estimulação das funções cognitivas.

Para saber mais:

Site:
(www) reabilitacaocognitiva.org

Artigos
TAVARES, L. Programas de estimulação em idosos institucionalizados: efeitos da prática de atividades cognitivas e atividades físicas. Revista Digital, Ano 13, n.129, fev.2009.
SOUZA, JN; CHAVES, EC. O efeito do exercício de estimulação da memória em idosos saudáveis. Rev Esc Enferm USP, v.1, n.39, p.13-19, 2005.





quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ser Terapeuta Ocupacional é saber navegar no mar das diferenças...


 


 
"Ah! A cada passo uma incerteza,
A cada momento um medo, uma confusão.
Mas que cada um construa
Sua própria embarcação.

O mar é sempre igual aos olhos dos que comungam a mesma percepção.
Mas ele é muito mais amplo, profundo e surpreendente
Do que se pode imaginar...
A percepção do oceano é mutante
Para quem se atreve a navegar.
Mas use modelos apenas como referência para seu barco
Construa sua própria nau sem medo de ela não ser igual...

A diferença tem todo direito de navegar!
Cada um de nós tem o amplo direito de possuir
Seu próprio meio de expressar.
O barco da diferença corta o oceano,
podendo reinventar
até o próprio mar..."

(Autor Desconhecido)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Uma vaquinha...

(Autor desconhecido)





“Um sábio passeava por uma floresta com seu fiel discípulo quando avistou ao longe um sítio de aparência humilde e resolveu fazer uma breve visita...

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também, com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar... Os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas... Então se aproximou do senhor que ali estava e perguntou:
- Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho; como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?
E o senhor calmamente respondeu:
- Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte nós utilizamos em nosso consumo, também produzimos para nós um pouco de queijo e assim vamos sobrevivendo.

O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por um momento, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou-se para seu discípulo e ordenou:
- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá embaixo.

O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência  daquela família mas, como  percebeu o silêncio absoluto  do seu mestre, foi cumprir a ordem.

Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo, e a viu morrer. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos e um belo dia ele resolveu voltar àquele lugar e contar tudo, pedir perdão e ajudá-los. E assim o fez.

Quando se aproximava do local  avistou um  sítio  muito  bonito, com árvores  floridas, todo murado, com  carro na  garagem e  algumas  crianças   brincando  no jardim.  Ficou triste e desesperado imaginando  que  aquela  humilde  família  tivera que  vender o sítio para  sobreviver.





Acelerou o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a  família que ali morava há uns quatro anos, no que o caseiro respondeu:
- Continuam morando aqui.
Espantado ele entrou correndo na casa; e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre.
Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):
- Como o senhor melhorou este sítio dessa forma que vejo?
E o senhor entusiasmado, respondeu:
- Nós  tínhamos uma  vaquinha, mas ela caiu no precipício e  morreu, daí em diante tivemos que fazer outras coisas e desenvolver  habilidades que nem sabíamos que tínhamos, assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora...”

Espero que este pequeno conto poético não nos incentive a sair por aí derrubando a “vaquinha” de ninguém no precipício... Porém, penso que poderá nos ajudar a não se apegar tanto à “nossa vaquinha”, e a não deixar de tentar encontrar as inúmeras potencialidades que existem dentro de cada um de nós.
Um abraço!

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Terapia Ocupacional e as Atividades da Vida Diária (AVD's)






Esse post é uma singela homenagem ao Sr. Jayme Monjardim Matarazzo, diretor da novela Viver a Vida, e à sua assessoria em Terapia Ocupacional, pela forma técnica como estão sendo mostrados os benefícios das adaptações para as AVD'S, mostrando a importância da Tecnologia Assistiva na formação profissional do Terapeuta Ocupacional.


Acredito que a novela irá expandir o mercado de trabalho para os Terapeutas Ocupacionais e, principalmente, alertar as pessoas com déficits motores e seus familiares para a importância desse profissional em sua re-habilitação.


Estou acompanhando as cenas da atuação da Terapeuta Ocupacional pelas postagens dos TO's no Youtube e em cada uma delas senti muito orgulho de estar fazendo parte desse tempo de fortalecimento da Terapia Ocupacional no Brasil.


Orgulho demais da profissão que escolhi pra VIVER A VIDA...